quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

ALMA VOYEUR


Amorosa

lenta e calma

abra

o zíper

de minhas várias cicatrizes

desarme as imaginárias navalhas

(escondidas sob as sobrancelhas)

e mergulhe nas boêmias raízes

de meu ser

e de minh’alma

voyeur


Penetre nas veias dos subterfúgios

de meus emocionais

fictícios refúgios

espectrais

e costure efetivo sentido

ao afetivo eriçar de minha pele

e meus súbitos rosnar

e ronronar

ao sempre desabotoar teu vestido

(ao som cúmplice de teu sorriso

tecido de fibras ópticas de cio)


Saciadas tuas sedes

de se dar

uivar e ciciar

arranhando as paredes

almejo te ver enrodilhada

e serena

em torno de mim

com a tranquilidade da plena

e secreta

paixão entre o corrimão e a torta escada

e a equidade relacional da borboleta

com o guaxinim


© MAQUINO, 27/28.XII.11

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Baú de osSOS virTUais (com afrocano picante tutano)